Domingo, 3 de dezembro de 2000.
Passava das seis da tarde, Scott lia na biblioteca de sua faculdade um livro de
mitologia egípcia, assunto do qual ele mais se interessava. Súbito, a luz
apagou. Scott supôs que havia ocorrido algum problema com o gerador da
universidade, em que cursava a faculdade de história antiga e medieval. Em seu
campus também se encontrava a Escola de Belas Artes e a Escola de Música.
Decidiu terminar sua leitura em casa, registrou seu pedido de empréstimo com a
bibliotecária e saiu.
Vinha descendo a escadaria de entrada da biblioteca, que fora construído no
século XIX no estilo românico. Avistou um carro esporte conversível vindo em sua
direção. Supôs ser o carro de um colega de classe. Esse seu colega era mais alto
que ele e, por resultado de muita malhação, também mais forte, pois Scott media
um metro e setenta e seis de altura e uns dois palmos de largura, enquanto o
outro media por volta de um e oitenta e uns cinco palmos de largura. O carro
parou frente à subida da escadaria ao mesmo instante que Scott atingia a
calçada. No carro encontrava-se além de Jonny, seu colega de classe, um grupinho
que vivia perturbando ou caçoando daqueles os quais julgavam estranhos. E Scott,
com seus negros cabelos lisos que vinha até o pescoço e cobria boa parte da face
esquerda, usava óculos redondos e grandes sobre olhos inexpressíveis. Vestia-se
todo de preto, sempre com uma blusa de mangas longas e gola alta, era para eles
o exemplo da esquisitice. Scott andava sempre com as mãos no bolso, com o rosto
sem exprimir qualquer sentimento, não falava muito, normalmente só para dar
alguma resposta
- que era impressionante ter sempre uma para
tudo.
Jonny saltou do carro pousando ao lado de Scott.
- Olha o nerdizinho da escola aí. Não quer ir ao show com a gente? Oh,
claro que não, você nem consegue chegar perto de garotas. Só consegue encarar
livro de mitologia.
- Os que o acompanhava deram boas risadas de
deboche.
- Hum é estranho como os homossexuais se atraem. Vocês só andam juntos,
vai ver sentem atração sexual um pelo outro.
-
Disse Scott sem expressar alteração alguma na voz e no comportamento
-
ainda tinha as mãos nos bolsos.
- O que?
- Alterou-se Jonny
- Vou te matar seu nerdizinho escroto.
- Jonny,
furioso, pegou Scott pela gola e aproximou-o de seu rosto. Os outros saíram do
carro e o seguraram, forçaram-no a largar Scott. Um deles disse:
- Calma Jonny, se você fizer qualquer coisa com ele aqui, vai pegar pra
você, cara.
- Humph! É! Cê tem razão. Escuta aqui, ô qüatrolho, se você é macho mesmo
eu quero ver você ir ao show.
- O.K.
- Concordou Scott inexpressivo.
Os arruaceiros entraram no carro e saíram. Scott foi para casa se preparar para
ir ao tal show, que ele imaginou não ser perda de tempo já que uma banda que ele
gostava iria se apresentar. Essa banda era Hallowmas, uma banda que tocava heavy
metal, era bastante conhecida pelas localidades.
Íhvan estava para praticar algo raro. Aparecer em público. Íhvan morava numa
casa antiga no fim da estrada, próxima a um cemitério, onde praticava rituais de
sacrifícios de animais em busca de força vital. Só podia ser visto pelas ruas da
cidade tarde da noite, era quase impossível ser visto sob a luz do sol. Talvez
isso explicasse a cor branca de sua pele, mas não era um branco que qualquer
albino aparenta, parecia que ele a pintava para ter tal tonalidade. Porém sua
namorada não achava isso possível, pois sempre que o tocava sentia que sua pele
era natural e não passava nada nela. Qualquer um que visse Íhvan despreparado o
julgaria um vampiro, e até que parecia, todo vestido de preto, com aquela cara
branca e olhos azuis claro, o corpo esguio, tal opinião era compartilhada por
sua namorada com suas amigas.
Sua namorada, Vanessa Kissinger, era uns três palmos mais baixos que Íhvan,
tinha cabelos negros e longos assim como o dele. Tinha também, o hábito de
vestir roupa preta. Ela olhava Íhvan e entendia porque sempre lhe perguntavam o
que vira nele, mas ela sabia que ele a amava. Talvez fosse o único ser na face
do planeta do qual ele gostava. Ela também o amava e não entendia muito bem o
porque. Naquele momento ele só estava perambulando pela rua pôr sua causa.
Vanessa o interpretava como feiticeiro, afinal, regularmente praticava ritos de
magia negra. No entanto compreendia-o, pois ela buscava também alguma verdade na
pratica da bruxaria.
Ela havia pedido para que a levasse ao show que aconteceria à noite. Íhvan por
um momento hesitou ao pensar em estar no meio de uma multidão, mas não podia
dizer não a Vanessa. Ela sabia disso e não gostava da idéia de forçá-lo a fazer
algo que não quisesse, mas ele era muito anti-social, e tentava aos poucos mudar
seus hábitos. Os dois moravam a alguns quarteirões do local do show.
Scott já tinha tomado banho e trocado de roupa
-
se alguém o visse diria que era a mesma
- pegou as chaves do carro do pai e saiu
para o show. Scott morava só. Seus pais viviam viajando, e desde que Scott
entrara na faculdade que eles não passavam um dia sequer em casa. Scott, porém
não se importava com o fato de não ver os pais por pelo menos uns dois anos,
afinal tinha paz e liberdade. Quando saiu, já entardecia, o céu apresentava
tonalidades alaranjadas próximas à linha do horizonte, enquanto que nuvens cinza
cobriam o outro extremo do céu.
- Será
que vai chover?
- Pensou.
Marcus Engels estava sentado no bar bebericando uma dose de vodka, sua bebida
preferida, enquanto assistia a primeira banda do show apresentando-se. Logo
seria sua vez de apresentar-se, ele era guitarrista e vocalista da banda
Hallowmas, que já possuía uma legião de fãs. Marcus era o estereotipo de um
metaleiro, com seus compridos cabelos ruivos que chegava até a cintura, olhos
azuis, com um metro e oitenta e dois de altura, e suas vestes de couro negro
compunham o figurino perfeito para um “metal-star”. Não tinha um humor muito
bom, era o que os membros de sua banda diziam. Engels nunca se importou em
gostar de alguém, ele só aproximava-se de determinada pessoa quando lhe era
conveniente. Razão pela qual ele só dividia o mesmo espaço que o resto da banda
para ensaiar, e Marcus achava-os músicos competentes, por isso tolerava-os.
Chegava a hora de apresentar-se. Engels dirigiu-se ao camarim para juntar-se ao
resto da banda.
Scott chegava no momento em que uma banda que ele não conhecia, descia do palco.
Um velho cabeludo grisalho entrou no palco e anunciou: “vamos assistir agora a
banda Hallowmas”.
Engels e sua banda, composta por mais um guitarrista além dele, um baixista e um
baterista, subiu ao palco. A galera foi ao delírio. Engels sentia a adrenalina
que o urro dos făs expressava. Chegava ao êxtase quando fazia um solo ou
produzia um agudo. Scott impressionava-se com o talento da banda. Não era à toa
que tinham tantos fãs.
Lá pela quarta música chegaram Íhvan e Vanessa. “Sonho doloroso”
- ouviram
Engels gritando. Íhvan adorava essa música. Ela falava sobre um feiticeiro que
torturava as pessoas durante seus rituais de magia negra, e que no fim teve que
usar o próprio coração para livrar-se da punição das almas que torturara.
O show de Marcus durou uma hora. Depois da banda Hallowmas subiu no palco uma
banda chamada Darknight. Entrementes veio entrando no salão
- o show
estava sendo realizado em uma antiga metalúrgica
- um grupo de motoqueiros, o ultimo que
entrou rebocava um caixão negro ornamentado de crânios pelas laterais. Esse
último tirou o capacete, então Marcus, que descera do palco e agora
encontrava-se próximo ao bar, viu que era uma mulher. Ela desceu da Harley, foi
ao caixão e abriu-o, do caixão saiu um homem albino, com cabelos curto e pintado
na cor lilás, era magro e pouco mais baixo que Engels. Tinha um Pierce no nariz
e um olhar penetrante.
Scott e Marcus acompanharam o homem com o olhar. Ele subiu ao palco seguido
pelos outros motoqueiros. O vocalista do Darknight fitou-o intrigado, então
parou de cantar. O restante da banda parou de tocar, e todo o Darknight desceu
do palco.
Desconfiado Marcus levantou e dirigiu-se ao líder do Darknight e perguntou o que
havia acontecido enquanto a banda descia, e obteve como resposta um: “Se liga
nisso não cara”. Conformou-se em observar o que viria depois. Aqueles que haviam
subido ao palco pegaram os instrumentos que lá jaziam sobre o assoalho do palco
de madeira improvisado, e deram inicio ao seu show. Eles não se apresentaram
como nada, apenas tocavam. O homem de cabelo lilás cantava, e sua voz parecia
hipnotizar a todos ali.
-
Com poucas exceções
- A
multidão começou a criar tumultuo entre si. Uma muvuca que se agredia, foi
aumentando gradativamente a confusão.
Scott percebeu que algo ali estava errado. Avistou Jonny, seu colega de classe,
e antes que ele entrasse na muvuca Scott aproximou-se de frente para ele e fez
um movimento com a mão aberta frente ao seu rosto de cima para baixo, e o fitou
- às costas do colega tinha um homem pelo
qual a multidão contornava, porém não o tocava, e esse homem pálido, de cabelos
pretos e sobretudo, olhava fixamente para o que cantava no palco, este também
olhava fixo para o outro. Parecia que lutavam através do olhar.
- “Abra
caminho para eu ir até lá”. Jonny deu as costas a Scott e adentrou no tumulto
abrindo caminho
- o que para ele, com aquele corpanzil, era fácil
-
chutando, socando, dando cabeçadas, Scott logo atrás. No bar Engels observava
que o cantor com o cabelo lilás olhava aturdido, alguém no meio da agitação. No
outro extremo do bar Íhvan e Vanessa observavam o mesmo.
Quando Scott ia chegando perto, com Jonny abrindo o caminho, daquele estranho,
ele deixou seu estado inerte de observação, deu as costas e saiu caminhando. A
multidão abria espaço para ele passar. Caminhou até a parede oposta ao palco e,
ao contrario do que Scott pensava, ele não parou. Continuou em direção a parede
até atravessá-la.
Naquele momento o vocalista no palco gritou no microfone:
- Maldito. Não fuja.
Pareceu a Scott que sua voz produzira laminas invisíveis. Na trajetória entre o
cantor e o outro que desaparecera, passou uma rajada de ondas acústicas, só que,
aqueles que estavam na reta foram mutilados
-
por pouco não atingiu Jonny
- explodindo na parede. Causou um buraco que dava para ver o
estacionamento dali. Scott constatou que por pouco não atingiu o porscher de seu
pai. “Que sorte”
- pensou.
Marcus, Íhvan e Vanessa viram apenas jatos de sangue. Marcus deu um salto da
cadeira e o palco subindo correndo. Foi até o vocalista e pegou-o pela gola da
jaqueta.
- Imbecil o que você pensa que esta fazendo?
Os olhos do homem de cabelo lilás brilharam.
-
LARGUE-ME!
- Falou
ele. Scott viu Marcus ser projetado para fora do palco, sem que o outro fizesse
movimento qualquer, em sua direção. Porém Marcus não se esborrachou no chão.
Tinha pairado no ar, e aterrizou de pé.
Scott pressentia que aquele homem seria seu oponente também. Prostrou-se ao chão
a procura de algo que servisse de arma. Achou alguns pedaços de concreto
remanescente da parede destruída. Pegou um pedaço do tamanho de sua mão, e
atirou. O pedaço de concreto foi como um projétil de revolver. Zuniu no ar
traçando uma trajetória até o estranho no palco. O projétil parou próximo à sua
fronte, então se pulverizou.
Jackie percebeu que aqueles dois rapazes que o agredira não eram nem um pouco
normais. No entanto ele, Jackie Lancastte, tinha a certeza de que ele era mais
forte que os dois. Eles tinham habilidades incríveis, mas não comparadas com as
dele. Só sentiu receio em relação ao seu poder quando seu olhar encontrou com o
do homem que havia atravessado a parede. Naquele momento Jackie sentira como se
a aura do estanho crescesse esmagadoramente, aquilo por breves estantes,
provocou nele um terror insano. E subitamente, passou. Toda a força esmagadora
sumira, e Jackie não se sentia mais ameaçado. Sentiu-se forte de novo. Forte o
suficiente para derrotar Marcus e Scott.
Derrepente Jackie sai do seu devaneio. Viu algo girando muito rapidamente em sua
direção. Marcus havia pegado um pedaço de ferro no chão
- o que
era comum numa metalúrgica abandonada.- O pedaço de ferro tomou a forma de um
bumerangue, as laterais eram muito afiadas, quando Marcus lançou-o, foi direto
para Jackie, mas no caminho cortou um penteado moicano azul violáceo de alguém
que estava no meio da confusão.
- Que parecia que nunca ai acabar
-
Faltavam alguns centímetros para decepar a cabeça de Jackie. Marcus espantou-se
ao ver seu bumerangue improvisado sumir no momento que tocava a jugular de
Jackie, um filete de sangue brotava em seu pescoço.
Marcus perguntava-se como poderia ter feito aquilo. Não podia simplesmente
desintegrar algo daquele modo ou, pelo menos Engels achava que não. Olhou em
volta perguntou-se se Jackie poderia mandar sua própria arma voltar contra si.
No entanto não demorou a descobrir para onde ira seu bumerangue.
Íhvan, que ainda estava próximo ao bar, de onde todo aquele rebuliço passava
longe, estava parado em pé frente à Vanessa para protegê-la.
- Ele
seria capaz de matar, e se fosse por Vanessa, poderia fazer até pior que isso.
Súbito, um objeto metálico aparece a poucos palmos do seu rosto. Não teve tempo
para pensar. Sua reação foi fechar os olhos e aceitar a chegada de sua morte.
Porém ela não veio. Ouviu a voz de Vanessa gritando
- ÍHVAN
CUIDADO
- e ela
puxando-o para o chão. Ouviram o som das prateleiras do bar quebrando e as
garrafas espatifando-se. Gotas de sangue voaram em seus rostos. Íhvan passando a
mão para limpa o sangue que o atingira, virou para constatar que o sangue
pertencia ao barman que estava hipnotizado, e ficara parado ali atrás do bar a
um bom tempo. O bumerangue que fora criado por Marcus e desviado para Íhvan por
Jackie, decepou a cabeça do barman. “Esse seria meu destino. Se não fosse por
Vanessa”.- Pensou
Íhvan.
Mas quando passou por sua cabeça que sua namorada também poderia ter morrido,
ficou tomado de fúria. Pulou por cima do balcão, foi até as prateleiras
destruídas procurando o bumerangue. Achou-o encravado na parede com uma de suas
asas enterrada até o meio.
Íhvan puxou-o, cedeu com facilidade. Íhvan mirou em Jackie e lançou-o
- Íhvan
era mestre no manejo das armas-brancas.
- Não tinha muitas lembranças de seus pais,
nem sabia se viviam ou já haviam morrido. Mas lembrava que seu pai caçava e
ensinou-lhe a manejar espadas, lanças, bumerangues e adagas. O estranho é que
ele nunca se perguntara o que poderia ter acontecido com seus pais. Certo dia
eles pareciam ter sumido, mas ele sabia que eles existiam. Tinham que existir,
se não como ele poderia ter nascido? A verdade era que pouco importava se
existiam ou existiram, a única pessoa que importava para ele era Vanessa
Kissinger, sua namorada.
- O bumerangue projetou-se em uma curva até
Jackie. Mas desta vez ele estava preparado. Com um gesto de mão desviou-o para
Marcus. Engels por sua vez o desmanchou ao aproximar-se dele. Entendeu que um
ataque direto não seria muito eficaz contra Jackie.
Engels tentava imaginar o que poderia fazer contra seu oponente, mas não fazia
idéia de como agir. Então percebeu que Jackie contorcia o rosto, fazendo caretas
horríveis, botando as mãos na cabeça apertando-a, seu corpo dobrou para frente e
para trás violentamente.
- Enquanto essa batalha acontecia, toda a
banda de Jackie continuava tocando freneticamente.
-
Pareceu a Engels que Jackie sentia que sua cabeça ia explodir. Marcus olhou, com
uma idéia que passara por sua cabeça repentinamente. Procurou pela multidão,
logo seu olhar avistou Scott. Scott estava com os olhos fechados, respirava
lentamente, parecia que estava dormindo em pé. Marcus então concluiu que estava
certo. Scott estava tentando dominar a mente de Jackie. Sentiu-se, por um
instante, aliviado por Scott não estar contra ele.
Não perdendo tempo, usou todos os pequenos pedaços da parede derrubada para
moldar estacas de concreto. Eram dezenas de estacas. Lançou todas contra Jackie.
Jackie distraído tentando livrar-se do domínio mental de Scott, sentiu uma das
estacas atravessar sua barriga. Sua cabeça parecia um campo de batalha, vários
sons chocavam-se dentro de sua mente. Viu vários mísseis a sua frente. Alguma
criatura devorava seu estômago. Aquele estranho que havia fugido dele
atravessando a parede, agora estava de volta parado bem na sua frente e dizia:
“Você acha que é forte. Pois saiba que eu me retirei porque você não vale meus
esforços. Há quem faça isso com tanta facilidade quanto eu”.
- MALDITO.
- Gritou Jackie. Rolou para o lado evitando que os mísseis o acertasse.
Passou a mão pelo abdome, procurando o que provocava aquela dor. Tocou a estaca,
levantou a mão ao seu rosto, viu-a manchada do deu próprio sangue. O ódio que
tomou conta do seu ser foi crescendo e apoderando-se de sua sanidade.
Engels viu seu corpo ser tomado pôr um brilho azulado. Então percebeu o que
Jackie iria fazer e ele não poderia fazer nada para impedir. Olhou para Scott,
que se encontrava a poucos metros dele.
- Vamos sair daqui cara, ele vai mandar tudo isto aqui pelos ares.
- Falou
Engels para Scott, que consentiu com a cabeça e saiu logo atrás de Marcus. Foram
entre esbarrões e tropeços em meio à multidão para sair o mais rápido possível.
Íhvan percebeu que Jackie acumulava energia em um ponto especifico do corpo. E
se a liberasse o efeito seria como a de uma fissão nuclear. Toda a fabrica seria
destruída. Voltou-se para Vanessa puxando-a pelo braço, dirigiu-se para a
entrada.
Íhvan e Vanessa que estava mais próximo da entrada saíram primeiros que Scott e
Engels.
Atrás deles ouviu-se um ensurdecedor “CABUM” seguido de um estrondo que
estremeceu todo solo o aos seus pés. A torrente cinética provocada pela explosão
atirou todos os quatros longe. Marcus, no entanto, impediu que todos se
machucassem.
A poeira subiu provocando uma névoa espessa à frente deles. Scott, Marcus e
Vanessa sentiram o vento soprar afastando o pueril, permitindo enxergar-lhes uns
aos outros, então viram que Íhvan de pé com o braço esticado para frente era
quem produzia o vento.
Vanessa, como se não tivesse prestado atenção ou talvez não tenha entendido o
que Íhvan fazia, pulou em seus braços
para um abraço. Marcus limpou as gotas de suor em seu rosto, e suspirou
aliviado. Scott estava parado virado para a fábrica, que agora era uma pilha de
escombros.
- Mas como?
- Sussurrou Scott. Ouviu-se um barulho em meio aos escombros.
Marcus parou de limpar o suor em sua testa. Olhou pelos cantos dos olhos para o
monte de entulhos ceticamente.
Vanessa parou de abraçar Íhvan e olhou para trás. Íhvan fixou seu olhar nos
destroços.
Em meio à fumaça eles vêem uma silhueta humana. O que os levou a concluir que
seu inimigo não havia sido derrotado.
Jackie caminhava para fora dos escombros lentamente. Seus inimigos podiam ver
que não sofrera um arranhão sequer, e a ferida feita pela estaca de Marcus tinha
se fechado. Podia-se ver pela expressão em seu olhar o quanto estava furioso.
Entretanto Marcus, Scott e Íhvan também não estavam tão pacientes.
Marcus que ainda encontrava-se de joelhos no chão, socou-o, e para o espanto de
Vanessa seu punho afundou no asfalto. Feito isso, novamente os destroços, aos
pés de Jackie, transformaram-se em varias estacas. Jackie saltou para o ar.
Vanessa impressionou-se outra vez, o estranho havia saltado a mais de quarenta
metros de altura. As estacas seguiram-no, Jackie lá no alto, estendeu sua mão
esquerda em direção das estacas. A primeira que chegou até ele sumiu, e na
medida em que iam chegando todas sumiam, como se houvesse um buraco invisível
entre ele e as estacas. Quando todas tinham sumido ele desceu bem devagar.
Engels esperou que chegasse bem perto do solo. Ergueu sua mão, que ainda estava
dentro do buraco que tinha feito com o soco, esticou e abriu-a, depois foi
fechando lentamente. Vanessa não conseguia acreditar no efeito causado por
aquele gesto, parte do asfalto abaixo de Jackie se deslocou do chão causando
tremores que a fez perder o equilíbrio e cair de joelhos. Jackie olhou em sua
volta, mas antes que pudesse afastar-se o fragmento fechou em torno de si.
Começou a se comprimir, imensos pedaços de concreto voaram juntando-se a esfera
de asfalto. Foram se chocando causando estrondos ensurdecedores. Quando terminou
havia uma esfera de entulho de uns vinte metros de diâmetro flutuando a uns
cinco metros de altura. Marcus deixou-a cair, o que fez o solo estremecer,
fazendo Vanessa cair outra vez quando tentava se levantar. Marcus estava certo
da vitória. Mas por pouco tempo.
Sentiu ser chutado na face. Jackie estava parado na sua frente, e olhava para
Marcus que limpava o fio de sangue que escorria do nariz.
Íhvan colocou Vanessa de lado, puxou do sobre-tudo uma adaga prateada de meio
metro de cumprimento e três laminas, uma oposta à outra, e lançou-a em Jackie.
Antes que a adaga o atingisse ele estendeu o braço e desviou-a de volta a Íhvan,
que a pegou pelo cabo com facilidade e nem sequer piscou, enquanto Vanessa
tampava os olhos com as duas mãos para não ver o namorado ser perfurado. Antes
de qualquer reação de Íhvan ou Marcus, Jackie saltou para trás, e parou a quinze
metros de distancia. De lá ele conjurou no ar, centenas de pedregulhos do
tamanho de Marcus, que era o maior entre eles.
Íhvan, em um ato de desespero, empurrou Vanessa para longe dali, enquanto os
pedregulhos desciam na direção deles. Scott olhava para o alto, mas não pensou
em fugir, seria inútil tinha que derrotar de uma vez por todas seu oponente. O
problema era como?
- Droga. Não posso fazer nada, estou sem energia.
- Comentou Marcus, furioso, olhando
para o alto.
Íhvan ao ouvir o comentário de Engels olhou para ele, percebeu que ele poderia
fazer algo em relação aos pedregulhos.
Uma luz azulada e bruxuleante começou a emanar do corpo de Íhvan. Então Marcus
sentiu suas energias voltarem. Não parou para perguntar se fora Íhvan que tinha
feito aquilo. Ocupou-se de desintegrar os pedregulhos que os esmagariam em
poucos estantes. Os pedregulhos viraram pó com um gesto de braço de Marcus. O
vento soprou subitamente e afastou toda a poeira antes que chegasse a eles.
Jackie estupefato perdeu momentaneamente a ação. Scott aproveitou sua distração,
abaixou para pegar qualquer coisa que lhe servisse de arma. Suas mãos tocaram
num bom pedaço de concreto. Scott pegou-o, concentrou toda sua energia naquele
objeto e atirou-o em Jackie que, quando se deu conta a pedra já havia atingido
sua testa. Jackie perdeu o equilíbrio e caiu, havia um corte em sua testa. Porém
ele não estava derrotado.
Jackie tentou se levantar, mas Scott queria que aquilo terminasse. Ele tentou
dominar a mente de Jackie novamente. Jackie caiu de joelhos. Marcus viu sua
última oportunidade para a última ação, pois tinha usado suas forças finais para
dizimar os pedregulhos.
Avistou o maior pedaço de concreto que pode, pegou-o, olhou para Jackie tentando
livrar-se do domínio de Scott. Correu com a pedra, segurando-a com os dois
braços, em sua direção.
- Morra maldito!
- Marcus acertou-lhe outro golpe na testa.
Jackie cai com um baque surdo no chão. Seu sangue lentamente criou uma poça
vermelha escuro no chão. Desta vez estava morto.
Marcus arfava lentamente. Olhou para os escombros e lembrou-se de que agora não
tinha mais banda, pois todos os componentes estavam dentro da fabrica. Mas por
algum motivo aquilo não lhe importava. Só pensou que teria que comprar outra
guitarra. Virou-se para Íhvan.
- Obrigado!
- Disse sem olhar para Íhvan.
- De nada!
- Disse Íhvan também sem olhar.
Scott virou e retirou-se sem dizer nada. Então Engels também se retirou, indo
até sua Harley. Scott pegou o porscher de seu pai e partiu. Íhvan e Vanessa
foram pegar um taxi.
No taxi a caminho de sua casa, Vanessa, que ficou calada durante a viagem de
volta a casa, encarou Íhvan ainda incrédula.
- O que foi tudo aquilo? Quem são eles?... O que é você? – Ela perguntou
com uma sensação de que ao fazê-lo acordaria de um terrível pesadelo.
- Calma Vanessa amanhã eu lhe explico. Acho que agora você precisa
descansar.
- Ela não quis insistir, pois realmente estava muito cansada, mais que
isso, abalada emocionalmente – não acreditava que tinha sido tudo verdade. Ela
aparentemente estava calma, mas por dentro o desespero a consumia. Mas ficou
decidida em descobrir tudo sobre o que tinha acontecido.